A miopia infantil é considerada uma epidemia global. Estima-se que até 2050, metade da população mundial será míope. No Brasil, a prevalência de miopia em crianças em idade escolar já ultrapassa 20% e cresce a cada ano — impulsionada pelo uso precoce e intensivo de telas e pela redução do tempo ao ar livre.
Por que a miopia aumenta
O olho da criança está em crescimento. Quando ela passa muitas horas focando em objetos próximos (celular, tablet, cadernos) e pouco tempo em ambientes externos, o globo ocular cresce mais do que deveria, tornando-se mais alongado. Esse alongamento é a miopia axial — e, uma vez que o olho cresceu, não volta ao tamanho normal.
Hábitos protetores
A evidência científica é clara sobre dois pilares de prevenção: tempo ao ar livre (mínimo de 2 horas diárias — a luz solar estimula a liberação de dopamina retiniana, que inibe o crescimento axial do olho) e limitação do tempo de tela. A regra do 20-20-20 é prática e eficaz: a cada 20 minutos de tela, olhar para algo a 20 pés (6 metros) de distância por 20 segundos.
Controle de progressão
Para crianças que já são míopes, existem estratégias comprovadas para desacelerar a progressão: colírio de atropina em baixa concentração (0,01% a 0,05%), lentes de contato especiais (ortoceratologia noturna ou lentes de deslocamento periférico) e lentes oftálmicas de controle de miopia (como as lentes DIMS). A escolha depende da idade, do grau e da velocidade de progressão de cada criança.
Quando levar ao oftalmologista
A primeira consulta oftalmológica deve ocorrer ainda no primeiro ano de vida (teste do olhinho). Depois disso, consultas anuais são recomendadas. Sinais de alerta para miopia incluem: a criança apertar os olhos para enxergar de longe, sentar muito perto da TV, queixar-se de dor de cabeça no final do dia, ou ter queda no rendimento escolar. Na Oculare, a Dra. Priscila Andrade é a especialista em oftalmologia infantil.